Codigo de Barras Como Funciona

Tudo o que você precisa saber sobre códigos de barras

 

youjie-370x223Códigos de barras integram uma tecnologia presente na vida dos brasileiros desde a década de 1980. O primeiro cenário em que o emprego dessa tecnologia ficou mais evidente para a população foi o composto por supermercados. Grandes redes de varejo de produtos de alimentação não demoraram a ver toda a economia que a adoção da tecnologia dos códigos de barra representa.

Os consumidores logo perceberam a agilidade e a rapidez com que o processo de pagamento acontecia. A verdadeira revolução, porém, estava bem além dos dispositivos de leitura de códigos visíveis nos caixas.

Outro aspecto que pode não ser tão evidente aos olhos dos clientes dos mais variados segmentos é que a tecnologia dos códigos de barras não começou na década de 1980. Na verdade, o processo tem origens mais remotas do que se poderia supor. Vejamos uma breve história da tecnologia que otimizou processos em todo o mundo.

 

Códigos de barra: as origens da tecnologia

 

codigo-de-barras-UPC-AA primeira pessoa a pensar sobre a possibilidade de implementar um sistema capaz de agilizar o processo de identificação e registro de itens disponíveis para compras em lojas foi Wallace Flint. O ano era 1932, e o estudante da universidade de Harvard trabalhava em uma tese sugerindo a criação de um cartão capaz de tornar automático a rotina de compras efetuadas em armazéns. De acordo com a proposta de Flint, era possível que os clientes de um estabelecimento perfurassem um cartão de compras, que seria entregue ao caixa. A seguir, esteiras automáticas identificariam cada item marcado no cartão, trazendo os produtos correspondentes até o balcão para o pagamento. A ideia de Flint ficava longe da realidade de um país em pleno enfrentamento de um período de depressão. Colocar em prática um projeto desse porte seria muito custoso mesmo em outro período, dadas as restrições tecnológicas da época. Por isso, a iniciativa foi descartada como uma ideia impraticável.

A demanda por agilidade permanecia, no entanto. Em 1948, um comerciante dos Estados Unidos encontrou um dos reitores do Instituto de Tecnologia de Drextel, na Filadélfia, para solicitar investimento tecnológico no segmento alimentício. Diretor de uma cadeia de empresas de alimentação, o homem relatou as dificuldades dos processos lentos e trabalhosos para identificar e calcular os produtos comprados nos estabelecimentos da rede. Ainda que o reitor não tenha tomado nenhuma medida para atender à queixa, dois estudantes se interessaram pela questão. Nas décadas seguintes, Norman Joseph Woodland e Bernard Silver se empenharam em muitos esboços e rascunhos até que o modelo definitivo dos códigos de barras fosse determinado.

A versão a ser utilizada do código de barras era baseada em um sistema que empregava padrões de trilhas sonoras cinematográficas aliados aos sinais do código Morse. Já os leitores correspondentes foram definidos em meados da década de 1950. Na década seguinte as primeiras implementações de códigos de barras ocorreram ao longo de todo o território norte-americano. Uma das primeiras empresas a adotá-los foi a General Motors, implementando o sistema na fábrica de Flint, no Michigan, em 1969.

Paralelamente, a implementação de códigos de barra em âmbito industrial ocorreu em meados de 1950. Em 1967, a associação norte-americana de ferrovias desenvolveu códigos de barras de leitura ótica. O método envolvia a aplicação de identificadores nos vagões de trens, além da instalação de leitores para os dados nas estações. Devido ao alto custo do sistema, o processo caiu em desuso nos anos 1970. Cerca de 95% dos trens havia recebido identificação exclusiva na época.

O ano de 1981 testemunhou a aplicação de códigos de barra em nível industrial. Em setembro, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos adotou o Código 39 para identificar os produtos comercializados para o exército do país.

 

Chegada do código de barras no Brasil

 

8498838-codigo-de-barras-con-luz-de-laser-8-eps-vectoriales-archivo-incluidoNa década de 1980, o sistema foi adotado no Brasil, sendo recebido com um pouco de resistência. A classe trabalhadora temia que a tecnologia dos códigos pudesse gerar desemprego, já que o sistema poupava uma quantidade significativa de tempo e esforço na hora de proceder ao pagamento, entre outros contextos. O cenário nas fábricas também gerava suspeitas. Boa parte dos processos manuais seria eliminada, gerando cortes na folha de pagamento.

Os clientes também tinham seus temores. Com as etiquetas de preços tornando-se menos importantes, poderia ser difícil saber se o valor pago era aquele anunciado na prateleira do produto. Para combater esse receio, havia uma lei exigindo que os preços dos itens ficassem bem visíveis nas prateleiras.

A lei persiste até a atualidade, mas a preocupação com o sistema de códigos de barras ficou no passado. Hoje, foi substituída pelo conforto e a agilidade no momento de pagar as compras. Em supermercados maiores, os próprios consumidores se renderam à comodidade de procurar um leitor de códigos de barras entre os corredores para conferir e comparar preços.

O passado também testemunhou rumores de que o laser dos leitores de códigos fosse prejudicial à visão. Mesmo hoje as pessoas olham com desconfiança para uma série de novidades.

Trinta anos depois, as dúvidas foram completamente postas de lado. Tanto para empresas quanto para consumidores, é difícil imaginar o dia a dia sem as já familiares listras em preto e branco, com números dispostos logo abaixo. Os códigos de barras reduziram o custo de uma infinidade de operações, bem como aumentou a eficiência de empresas de uma ampla variedade de segmentos.

A tecnologia também contribuiu para a definição de novos parâmetros para a relação entre grandes varejistas e consumidores. O risco de cobrança indevida sofreu uma redução considerável, e a falta de uma etiqueta de preço deixou de ser um obstáculo em lojas de maior porte, sejam livrarias ou supermercados. É prático e rápido consultar um leitor de códigos de barra espalhados pelo estabelecimento sem precisar do auxílio de um funcionário.

 

O que significam os números de um código de barras?

 

0,,56760314,00Essa resposta varia imensamente, de acordo com o tipo e a finalidade de um código. A forma mais prática de responder a essa questão é listando os tipos de códigos de barras mais comuns no Brasil e do mundo, acrescentando uma breve explicação a cada um deles.

– Linha EAN/UPC: imediatamente reconhecível, em 1D, é o sistema mais usado no varejo em todo o mundo. Seu uso é particularmente difundido nos Estados Unidos e no Canadá. Desenvolvido com a finalidade específica de leitura nos pontos de venda, oferece agilidade na captura da informação. Suas variações são baseadas no número de dígitos que cada código contém. Por exemplo, o GTIN-13 apresenta uma numeração de 13 dígitos. Exclusivo de cada produto comercial, deve ser atribuído pela empresa que detém a marca do produto.

– EAN 13: é a identificação conforme o padrão de numeração europeu. O 13º dígito justifica o nome, indicando a presença de treze elementos na identificação do item. É usado na maioria dos produtos comercializados, desde compras de mercado até calçados e itens de lazer. Seus benefícios incluem a possibilidade de determinar em tempo real quais os itens mais consumidos de um estoque, garantindo a reposição antes que fiquem fora de estoque.

– DUN 14: não sendo um código de barras propriamente dito, é um número de unidade de distribuição, ou Distribution Unit Number, da sigla em inglês. Objetiva distinguir elementos como embalagens ou caixas, automatizando distribuição de produtos.  O objetivo central é fornecer ao setor de distribuição informações relativas à quantidade de itens de um produto recebido no estoque de uma empresa, por exemplo. É mais usado no contexto de logística. O número que segue a sigla DUN indica a quantidade de dígitos presente na identificação de produto.

– Símbolo bidimensional (2D): criado para atender a necessidades mais particulares, já que possibilita codificar informações em espaços reduzidos em comparação aos códigos lineares. Torna possível incluir dados adicionais, como código do produto, lote, data de fabricação e validade. É empregado no setor hospitalar, por permitir a identificação de itens de menor tamanho, como ampolas e seringas. Além disso, informar quando um lote deve ser descartado é fundamental no segmento de saúde.

 

Onde comprar códigos de barra para a sua empresa

 

imagesAntes de responder a isso, é importante ressaltar a necessidade dos códigos de barra para quem deseja adequar seu negócio ao padrão do mercado. Se você pretende, por exemplo, comercializar seus produtos em outros varejistas, sejam grandes redes ou lojas menores, você precisará fornecer itens com uma identificação própria. É muito difícil escapar dessa exigência.

Atualmente, há uma infinidade de programas que prometem gerar códigos de barras exclusivos para seus produtos, de forma gratuita. A única maneira de garantir a exclusividade de um código de barra, porém, continua sendo comprar um por meio de um canal adequado.

Há duas maneiras de adquirir códigos de barras. A primeira e mais conhecida delas é por intermédio da GS1, uma organização sem fins lucrativos que estabelece as normas comerciais para o uso desse sistema em todo o mundo. Com núcleos estabelecidos na Bélgica e nos Estados Unidos, atua em mais de cem países. Para acesso específico do público brasileiro, existe um site específico com conteúdo em português, o da GS1 Brasil.

A segunda alternativa é por meio de empresas especializadas na criação de códigos e no suporte a empresas durante o processo de implementação. Esta é, justamente, a maior vantagem dessa opção. O atendimento costuma ser personalizado, e o cliente encontra oportunidades para esclarecer dúvidas e descobrir mais sobre o tipo de código de barra ideal para seu segmento.

É importante alertar para a necessidade de uma pesquisa aprofundada sobre a empresa em vista. Nem todas fornecem códigos legítimos. Assim, se a sua finalidade é definir um código de barra que possibilite um uso efetivo dentro de sua empresa e no âmbito das empresas parceiras, é fundamental garantir um provedor sério para o seu sistema de identificação de produtos.

 

Códigos de barra e a legislação

 

578f70a206aa5-c_digos_de_barras_2Sabemos que os códigos de barra estão presentes desde os anos 1980. Neste artigo, apontamos também que a sua criação começou na primeira década do século passado. Mesmo com todo esse tempo na bagagem curricular, as empresas ainda têm muitas dúvidas quanto ao processo de adoção da tecnologia.

Uma das dúvidas mais comuns diz respeito à quantidade de códigos de barra que deve ser adquirida. A verdade é que não é possível simplificar a questão. Digamos que você produza um único tipo de produto. Em nosso exemplo, esse produto pode ser meias. Se você oferece ao consumidor meias de lã, de algodão e de tricô, a tendência é imaginar que sejam necessários três códigos de barra.

Na prática, porém, as coisas não são tão simples. A quantidade de códigos de barras necessários terá base um uma infinidade de outros fatores, que, em nosso exemplo, incluem aspectos como tamanho e cor. Então, você pode ter meias de lã em tamanhos P, M e G, assim, como modelos nas mais variadas cores. O código de barras ideal deve ser capaz de identificar cada um desses aspectos.

A segunda pergunta mais recorrente se refere a se há obrigatoriedade de registro de seu código de barras junto à GS1 Brasil, a organização sem fins lucrativos de que falamos anteriormente. O governo brasileiro não atribuiu à organização a responsabilidade exclusiva para a geração dos códigos.

Muito disso se deve aos altos custos praticados pela GS1, capazes de inviabilizar a aquisição por muitas pequenas e médias empresas. O acesso a fontes como o site do Planalto, da Fazenda e da Câmera Legislativa informam que, embora o Brasil tenha definido o EAN como código de barras oficial, não há obrigatoriedade de adquiri-los por meio da GS1.

Por fim, uma dúvida recorrente da maior parte das empresas que estão iniciando a implementação da tecnologia diz respeito à forma de aplicação dos códigos de barras, depois de serem gerados por meio de um processo autêntico. Mais uma vez, não há restrições legais quanto a isso.

Torna-se possível, portanto, que cada empresa defina seu próprio meio de aplicação dos códigos. O processo pode ocorrer por meio do setor de design gráfico de sua organização ou por intermédio de uma empresa terceirizada que preste serviços de impressão e design.